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A ESCRITURA DO ARCO-ÍRIS

por Rafael Rosa do SpiritoSanto

Um esclarecimento necessário: O texto abaixo, consideravelmente longo (6 páginas no Word), foi escrito nos 31 anos de Stonewall, no ano 2000. Nessa ocasião foi apresentado na Comunidade Cristã Gay de São Paulo (hoje desativada) - e em 28.06.2001 (dia dos 32 anos de Stonewall) foi distribuído pela primeira vez na Internet. 

Sua intenção é falar de realidades atuais (e perenes) numa linguagem semelhante à dos escritores bíblicos. Mais ou menos assim: como seria um texto bíblico que compreendesse e falasse a favor da homossexualidade, se houvesse sido escrito? E como se explicaria o fato de as demais escrituras ignorarem o assunto, ou até serem contrárias aqui e ali?

Como literatura, essa forma de escrever já foi usada por muitos, como p.ex. John Milton, William Blake etc. Mas... e para os que não se importam apenas com o (bom ou mau!) nível artístico, e sim com um conteúdo espiritual – ou seja, acreditam que o texto da Bíblia contém de fato recados do Divino para o Humano, como é que fica esta "brincadeira"? - Para esses tenho que dizer que não é uma brincadeira: é resultado de anos de meditação sobre o tema, e expressa de modo figurativo (como a Bíblia também expressa de modo figurativo) um aspecto que eu acredito ser absolutamente real no relacionamento do Divino com o Humano. E para quem é capaz de acreditar nessas coisas (felizmente são cada vez mais!), digo que este é um trabalho que não existiria sem colaboração angélica. Enfim, é pelos frutos que se conhece a árvore, e tenho certeza de que os frutos serão bons! (RRSS)

Obs.: A reprodução deste e de outros textos do AmorYgual é permitida e até ENCORAJADA, desde que se respeite a ética básica: (1) mencionar a fonte e endereço de acesso; (2) não alterar o texto.

A ESCRITURA DO ARCO-ÍRIS
uma lenda símbolo de realidades


Capítulo I (Princípios)

1. Quando o Senhor supremo, aquele que é todo Amor, Sabedoria e Poder, estava criando o mundo e a humanidade, chamou a si a coorte celestial, querendo em sua alegria compartilhar a beleza do que criava.

2. E chamou aos arcanjos escribas, para que o registrassem e pudessem depois repassá-lo aos seres humanos, aos quais iria dotar, no seu tempo, da capacidade de conhecer e reconhecer os planos que para eles havia traçado o seu criador;

3. e destinou aos diferentes povos diferentes arcanjos, que registrassem os planos de diferentes formas, com seus diferentes estilos, celebrando com isso mais uma vez o amor do Criador Uno pelo múltiplo e pelo diverso.

4. E descreveu o Senhor as maravilhas que estava criando, desde a trama do tempo e do espaço às multidões de galáxias e estrelas, e planetas, cometas e sóis,

5. e em especial um pequeno planeta coberto de um manto azul luminoso, e de um vestido tremeluzente de água, por sobre a carne vária de rochas, cristais e solos férteis, e com toda maravilha de formas de vida erguidas do solo com o poder da luz e calor do Sol.

6. Mostrou o senhor as plantas e os peixes, os répteis, aves e borboletas, e toda sorte de animais quadrúpedes das selvas e dos campos, e aqueles destinados a fazer companhia aos seres humanos em suas moradas,

7. machos e fêmeas fazia o Senhor boa parte das plantas e quase todos os bichos, e via o Senhor que isso era bom.

8. E a tudo isso os arcanjos registravam, conforme lhes havia ordenado o Senhor.

9. Então passou o Senhor a explicar os planos do Ser Humano, concebido de modo a refletir a imagem e semelhança dos seres divinos e do próprio Deus, em sua capacidade de Conhecer, de Amar e de Criar.

10. E mostrou o Senhor que os criava em duas formas, refletindo em cada metade da humanidade uma parte da sua própria natureza,

11. que contém em si tanto o vazio quanto o que o preenche, tanto o descanso da noite quanto a atividade da luz, tanto os jogos do pai quanto os carinhos da mãe.

12. Mostrou portanto o Senhor que criava também os seres humanos como macho e fêmea, Homem e Mulher.

13. Nas situações extremas do princípio da Terra (assim disse o Senhor) farei o Homem desenvolver a força e a resistência para enfrentar a dureza das condições que encontrarão, garantindo um espaço para viver, o qual será por dentro cultivado e enriquecido pela mulher.

14. E serão companheiros um para o outro, e se amarão, e gerarão filhos e filhas que darão continuidade à sua espécie,

15. e irão pouco a pouco, geração após geração, evoluindo em sua capacidade de compreender a si mesmos e ao seu criador, até que consigam reconhecer em si a natureza divina e assumir as responsabilidades que essa condição traz.

16. E para quando seu trabalho e evolução já houverem humanizado as condições duras do início (assim disse o Senhor)eu lhes deixo a liberdade de procurarem seu modo de ser livremente,

17. pois nisso é que mais refletem a minha imagem, na liberdade que lhes dou de escolher como ser.


Capítulo II (Inveja)

1. Nisso porém revoltou-se aquele que havia deixado crescer em si uma qualidade indigna dos seres da coorte de Deus, a qualidade da inveja, e disse de si para si:

2. "Erra o Senhor dando a esses a qualidade que até hoje reservou para si e não se dignou a compartilhar nem conosco, chegados seus.

3. "Não devemos permitir que o Homem e a Mulher tenham a liberdade, para que não venham a suplantar-nos, a tomar-nos o lugar e, quem sabe, um dia disputar o lugar do próprio Deus.

4. "Não devo deixar que isso suceda, e me declaro deste momento em diante inimigo da evolução do gênero humano, e sobretudo da sua liberdade,

5. "e me empenharei desde já em impedir que venham um dia a compreender sua verdadeira natureza, e a entender a liberdade que o Senhor lhes quer dar."

6. Irrompeu então o inimigo entre os arcanjos que registravam as palavras do Senhor, e tentou distrair sua atenção,

7. trazendo-lhes falsas notícias, que com isso mesmo se tornavam como que verdadeiras, de que as Trevas se insurgiam contra a Luz,

8. e de que a Matéria, a Noite, e o Feminino haviam se mostrado indignos da perfeição divina, e que o Espírito e a Luz deveriam daí em diante lutar contra elas.

9. Entreouvindo o Senhor o que dizia o inimigo, riu-se dele consigo, pois contendo em si a tudo e a todas as possibilidades,

10. sabia o Senhor que elas se encontravam dentro dele em vivo e dinâmico equilíbrio, e que jamais haveria perigo que uma delas viesse a prevalecer contra a outra.

11. Muitos dos arcanjos escribas, porém, se distraíram com isso das palavras que dizia o Senhor, e alguns chegaram a confundir-se e a registrar também palavras do inimigo junto àquelas do Senhor.

12. De modo que o inimigo se fez também Pai da Mentira, e, mostrando-se defensor da Luz para além do que lhe pedia o próprio Pai da Luz, se converteu ele mesmo em confusão e treva como nunca houvera antes.

13. Tudo isso, porém, fazia o inimigo movido pela inveja, para que o Homem e a Mulher não conhecessem a liberdade para a qual o Pai-e-Mãe supremo lhes criou.


Capítulo III (A Liberdade de Ser)

1. Nesse momento continuava o Senhor a explicar como havia criado os seres humanos Homem e Mulher, do mesmo modo como criara o dia e a noite, e quais as funções iniciais típicas que lhes havia designado.

2. Não penseis porém (disse o Senhor) que os quero limitados às funções típicas, pois não sou Eu o Senhor da Liberdade e da Variedade?

3. Não estou também criando os dias escuros de chuva, e as noites claras de Lua Cheia, mais ativas que tantos dias?

4. E não crio igualmente as horas da aurora e do crepúsculo, impossíveis de discernir se são dia ou são noite, reservando para elas em conjunto os encantos e belezas da noite e do dia?

5. Eu os crio Mulher e Homem para que vivam em amor e juntos criem seus lares, suas filhas e filhos, cultivem a terra e garantam a subsistência da espécie,

6. porém também para que se amem Mulher e Mulher, e Homem e Homem, aqueles que assim preferirem conforme a liberdade que lhes dou,

7. e que se amem e juntos criem beleza, alegria, conforto e conhecimento para uso de todos os humanos,

8. dignos frutos de seu Amor que, como todo verdadeiro Amor, só pode provir de Mim.

9. Que se amem, Mulher e Homem, Homem e Homem, ou Mulher e Mulher, e que se honrem

10. reconhecendo as marcas divinas que lhes deixo nos espíritos, nas almas e nos corpos,

11. e fazendo de cada encontro de Amor um passo a mais da construção do meu reino.

12. E que sejam diferentes em seus estilos e modos de ser, tanto como em seus modos de amar,

13. pois Eu sou o Senhor que criou a tartaruga e a lebre, a borboleta e a baleia, a utilidade da vaca e a desnecessária porém bela fantasia do pavão.

14. Eu sou o Senhor de toda variedade, e quero vocês diversos, pois amo e contenho em mim todo o diverso e sou Um.


Capítulo IV (Os registros incompletos)

1. De toda esta parte do discurso divino, porém, o inimigo havia prejudicado o registro, por inveja da liberdade que aos humanos destinava Deus.

2. E quando o Senhor disse a seus escribas arcanjos: Vão, e levem pouco a pouco, a aqueles que acabo de criar com minha palavra, o conhecimento do sentido com que lhes criei,

3. a maior parte dos registros estava imperfeita e confusa, com falta de palavras de Deus e com palavras do inimigo entremeadas,

4. as quais caluniavam parte das obras de Deus, como a matéria, o feminino e a noite, e confundiam a compreensão da liberdade para a qual nos destinara o Senhor.

5. Na Terra desenvolveram-se, entretanto, povos ao lado de povos, gerações sobre gerações, e iam recebendo gradualmente conhecimentos dos registros que fizeram os arcanjos das palavras do Senhor.

6. Em sua maior parte, porém, os registros eram incompletos, e informavam apenas das possibilidades contidas no amor de Mulher e Homem, Homem e Mulher,

7. e calavam das possibilidades, divinas porque construtivas, de amor entre Homem e Homem, Mulher e Mulher.

8. E muitos dos escribas humanos, que recriavam as palavras dos arcanjos em línguas humanas, viram nesse silêncio uma condenação,

9. como se o Senhor proibisse tudo aquilo que não houvesse explicitado, como se proibisse os dias de chuva, as noites de Lua, e as horas do pôr-do-Sol.

10. Na vontade, portanto, de melhor servi-lo, ultrapassavam os escribas a vontade do próprio Senhor, preenchendo com condenações as lacunas no discurso daquele que é todo Amor e Compreensão,

11. fazendo-se assim, esses escribas, porta-vozes do Enganador, o que fingindo defender a Luz se tornou ele mesmo treva e opressão, Pai das Inquisições e o Grande Acusador.


Capítulo V (Tempos de perseguição)

1. E na Terra, em todos os povos, desenvolviam-se os seres humanos nas múltiplas formas com que o Senhor lhes havia criado: Homens que se ligavam a Mulheres, Mulheres que se ligavam a Homens, Homens que se ligavam a Homens, e Mulheres que se ligavam a Mulheres,

2. bem como Homens e Mulheres que não se ligavam intimamente a ninguém, conforme a liberdade que o Senhor havia a todos concedido.

3. Somente em alguns povos, porém, os escribas e aqueles que zelavam pela vontade de Deus souberam compreender toda a diversidade das manifestações do Seu Amor na Sua criação,

4. e em muitos outros povos começaram a perseguir todos aqueles que não estavam de acordo com as palavras incompletas do Senhor, da forma como as tinham conhecido.

5. E muito embora o Senhor houvesse deixado os planos das coisas contidos e legíveis nas próprias coisas, à medida em que os humanos desenvolviam suas próprias escritas iam perdendo a habilidade de ler o sentido e as mensagens completas contidos nas próprias coisas como são,

6. e se fiavam mais e mais nas palavras dos escribas, onde as palavras de Deus já vinham expressas em suas próprias línguas, prejudicadas porém pelo rebaixamento a uma forma mais grosseira de linguagem,

7. bem como pelo caráter incompleto dos registros, que com o tempo se fragmentavam mais e mais.

8. E, a partir dessas escrituras simplificadas e incompletas, começaram a criar estruturas de disciplina e perseguição, pensando com isso cumprir a vontade do Senhor.

9. E dirigiram especialmente sua ira contra aqueles que, fazendo uso da natureza livre que Deus lhes havia concedido, se haviam tornado Homens que amavam Homens e Mulheres que amavam Mulheres,

10. e foram muitos os seus ais.

11. Povos e gerações se passavam, em todos tais Homens e Mulheres estavam presentes,

12. presenteando a humanidade com seus dons de criação de beleza e sabedoria, conforto e alegria, conforme lhes designara o Senhor,

13. sendo porém oprimidos, humilhados e perseguidos, e foram muitos os seus ais.

14. Clamavam aos céus essas Mulheres e Homens, e eram ouvidos pelo Senhor da misericórdia, que buscava enviar-lhes socorro:

15. de muitos modos buscou Deus enviar à Terra a restauração dessa e de muitas outras das suas intenções quanto à humanidade, porém não lhe davam ouvidos.

16. Presos às palavras e formas imperfeitas legadas por seus pais, os humanos matavam aos profetas e apedrejavam aos que lhes eram enviados, ou então os lançavam na fome, no desprezo, no exílio – e ao maior deles pregaram na cruz.

17. Depois, percebendo a importância daquele a quem haviam crucificado, criaram em torno dele um culto, na esperança de disfarçar seu erro cantando hinos ao seu nome,

18. não porém aceitando de verdade mudar suas vidas conforme o espírito do que ele havia dito, e sim, pelo contrário, organizando o culto em torno de palavras acrescentadas que preservavam os antigos enganos,

19. diferentes de tudo o que ele trazia, palavras de discriminação e condenação.

20. Em meio a suas aflições, Homens e Mulheres clamavam, oprimidos por aqueles que diziam defender a Luz.

21. Queimados, crucificados, presos, apedrejados, feridos, humilhados, viam arrastada no pó sua dignidade de criaturas à Imagem de Deus –

22. e os céus compreenderam portanto que muitos se revoltassem e blasfemassem, e descressem do Senhor,

23. e poucos tivessem a força de dizer, como Jó, "eu sei que o meu redentor vive, e que a seu tempo se levantará sobre o pó, e depois do meu despertar me levantará junto dele, e em minha carne verei a Deus". (Jó 19:25-26)


Capítulo VI (E Deus disse Basta)

1. Séculos seguiram-se a séculos, e não cessavam de subir aos céus os clamores dos filhos e filhas de Deus incompreendidos e oprimidos por seus irmãos e irmãs.

2. Até que um dia o Senhor se fartou, e ao ver que grande quantidade desses seus filhos eram atormentados sem razão no Lugar do Muro de Pedra, chamado naquele povo de Stone Wall,

3. o Senhor disse Basta!,

4. e enviou como uma flecha um arcanjo, tendo-lhe entregue nas mãos duas taças, contendo a Consciência da Dignidade de Grupo e o Poder de Resistir.

5. Basta (disse o Senhor) e, já que não ouvem a voz dos meus enviados, tomem a causa em suas mãos, e resistam!

6. Mostrem sua força e sua dignidade, e levem com vocês um velho sinal, o Sinal da Diversidade das Cores, o mesmo que dei a Noé como Arco da Aliança ao final de um período de cor cinza e de destruição.

7. Resistam, restaurem nesse mundo as cores e a variedade, e afirmem cada dia mais a liberdade com que lhes dotei.

8. Vocês são livres: livres a ponto de poder conspurcar sua própria dignidade em atos mesquinhos de egoísmo, de exploração, de rebaixamento de si mesmos e de seus semelhantes, de falta de responsabilidade e de autodestruição –

9. mas vocês são livres também para afirmar sua dignidade, seu respeito e preocupação sagrada um pelo outro, digna da responsabilidade de deuses de que lhes dotei,

10. livres para criar beleza sublime que reflita a grandeza com que criei o Cosmos, e para fazerem crescer entre vocês o Amor, e a Consciência de serem Filhas e Filhos de Deus

11. Vocês são livres (diz o Senhor) para se rebaixarem e para se elevarem, para se excluírem ou se incluírem no Meu Nível de Ser. Prezo a liberdade que dei a vocês, e não a violo, não obrigo vocês a virem a mim.

12. Lembrem-se porém de que Eu amo vocês, e o lugar em que os quero é em mim, compartilhando da minha Glória – ó filhos e filhas da Minha Liberdade e do Meu Coração.


Capítulo VII (Ad infinitum)

Assim diz o Senhor – e assim é . 

       

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