Boletim julho 2000

EXTRA: FOMOS ASSALTADOS, MAS CONTINUAMOS DA PAZ

No dia 07.07.2000, a Trópis esteve com dezenas de entidades às 18 h na Praça da Sé,
afirmando BASTA, eu quero paz!
 Quem não estava lá, de qualquer modo estava branco,
e às 19 h apagamos as luzes, acendendo uma vela branca na janela e mentalizando Paz
 e justiça crescentes em nossa cidade, nosso país, nosso mundo. – Mas saiba mais:  

O ASSALTO: Há poucos dias recebemos a primeira parcela de um convênio de 7 meses com o Instituto Sou da Paz e Ministério da Justiça (entre outros). R$ 900, pouca coisa para muitos, porém muito para uma instituição pequena, construída com a fé e os esforços de quem não tem. Pois bem… fomos seguidos desde o banco por jovens assaltantes de moto, os quais levaram o dinheiro duas quadras antes de chegarmos à séde onde nossos jovens esperavam ansiosamente para comemorar essa vitória…  

Não, não é vingança o que queremos: queremos é apoio para seguir trabalhando por uma verdadeira educação e por um ideal de país capaz de dar a jovens como aqueles alguma razão para não resvalarem no crime.

Depois de anos trabalhando sozinhos até mostrá-la na prática, nossa proposta começa a ser entendida e reconhecida. Amostra disso são os convênios com a Capacitação Solidária e com o Sou da Paz, os quais, mesmo apertado, viabilizarão nosso segundo semestre.

Acontece que ainda arrastamos as dificuldades do primeiro semestre deste ano, quando ficamos totalmente a descoberto. Ficamos com cerca de R$ 1.300 em contas vencidas, fora dívidas de aprox. R$ 1.800 feitas em favor da Trópis pelo prof. Ralf Rickli, totalizando mais ou menos R$ 3.100.  Valor irrisório para uma grande empresa, e módico para muita gente – mas que para nós vem sendo uma barreira que nos prende ao passado desviando energia do presente e do futuro – sem falar que em diversos momentos nossos colaboradores centrais têm provado, literalmente, a fome – sem perder a fé no ideal, mas com certeza sim um tanto de sua saúde e eficiência.

Que tal ajudar a superar esse momento difícil, com qualquer valor de doação para integralizar esses 3.100 reais? Damos garantia de que você ainda terá muita satisfação por ter ajudado a viabilizar uma iniciativa que vai  fazer diferença notável neste país nos próximos anos e décadas. Apostamos nossas vidas nisso, e damos fé!

Informe-se mais pelo e-mail tropis@tropis.org ou fone +11 5851-1158 – ou contribua diretamente na conta Bradesco n.o 1591-1, ag.2841-0. Mas de preferência fale conosco, pra que a gente possa se alegrar em conjunto, de um jeito humano – o que faz parte, afinal, da nossa própria razão de ser!

Visite-nos no Sábado 05 de agosto!
14 h.: informais + bazar de blazers & outros papos
16 h.: apresentação da Trópis e da Educação Convivial. Tira-dúvidas.
18 h.: Sarau com participação da banda Provisório Permanente. Participe! Apresente!
Informações +11 5851-1158

Capacitação Solidária aprova nosso curso de Comunicação Comunitária

O comércio e institutições de bairros têm falta de canais de divulgação que os ajudem a sobreviver diante do avanço da massificação e do anonimato. Por outro lado, o Brasil já tem lei regulamentando as Rádios Comunitárias, e poucas pessoas preparadas para fazer uso desse rico veículo.

Investindo sempre em programas de capacitação e melhora da empregabilidade dos jovens menos favorecidos, o Programa Capacitação Solidária, aprovou nosso curso de Comunicação Comunitária com ênfase em Rádio Comunitária dirigido a jovens de 16 a 21 anos sem segundo grau.

Durando de 03 de julho a 30 de novembro de 2000, o curso investirá tanto no preparo técnico-operacional (a cargo de Chico Lobo e equipe) quanto na formação geral dos alunos (cidadania, artes, apresentaçãio pessoal, redação etc.) – a cargo da equipe da Trópis e amigos (Selma Saraiva, Ralf Rickli, Gil Marçal, Carla Lopes, Anabela Gonçalves, Dudu Rombauer, entre outros).

Observatório dos Direitos Humanos com Sou da Paz, NEV-USP etc…

A idéia é estimular os jovens da periferia a, discutindo, tomar consciência da questão do Direitos Humanos, e ao mesmo tempo gerar um citizens’ report – um relatório onde a própria população identifica os pontos mais críticos nessa área, na sua realidade e no seu ponto de vista.

Quatro instituições da Zona Sul de São Paulo foram escolhidas para participar desse Observatório pioneiro em sua metodologia na América Latina, de maio a dezembro de 2000: Chico Mendes (associação de moradores), ARCO, UNAS de Heliópolis e a Trópis. Nossa equipe no programa, mobilizada inicialmente por Gil Marçal, é consitutída por Anabela Gonçalves (18 anos), Ana Estrella Rickli Vargas (16) e Wagner Faborges (23).

A iniciativa é uma parceria do Instituto Sou da PazNúcleo de Estudos da Violência da USP e Observatório Internacional para Assuntos Humanitários, com financiamento do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e apoio do Ministério da Justiça.

O Observatório foi lançando na USP em 17 de maio com a presença da Alta Comissária de Direitos Humanos da ONU, Sra. Mary Robinson, num seminário onde a grande “estrela” (ou buraco negro?) foram as dramáticas condições dos internos da FEBEM em São Paulo – o que veio a reforçar nossa intenção de trabalhar mais e mais diretamente para evitar que jovens vão parar lá: veja a próxima notícia.

Uma meta de fôlego: Liberdade Assistida

A sentença de Medidas Sócio-Edicativas em Maio Aberto, ou Liberdade Assistida, vem crescendo em importância como modo de evitar a internação de jovens “infratores leves”, com suas terríveis conseqüências.

Educação Convivial, metodologia fundamental da Trópis, é por natureza um forte meio de prevenção do envolvimento de jovens com violência, drogas e outras formas de delinqüência – com clara vocação para o trabalho de Liberdade Assistida. O “namoro” vem de 1999, quando nosso Coordenador Pedagógico, prof. Ralf Rickli, participou do curso ministrado no SENAC por Alfredo Barbetta e César Louvison.

Agora chegou a hora de partir para a prática: estamos prontos a assumir um grupo de 100 jovens da AR Campo Limpo, estando em conversações com o departamento responsável da FEBEM na Zona Sul para isso.

Só não começamos devido ao impasse do ESPAÇO: embora a verba mensal da FEBEM seja suficiente para manter um espaço adequado, antes de iniciar a Trópis não tem em mãos recursos que permitam alugar um espaço adequado em seu nome para cumprir as formalidades junto aos órgãos municipais competentes.

Será que VOCÊ tem como nos ajudar a vencer esse impasse?   Fale conosco!

Outras parcerias recentes

Estamos iniciando parcerias com o Canal FUTURA, onde a propósito nosso colaborador Gil Marçal, diretor do Grupo Submundo de Teatro, acaba de assumir funções de Mobilizador Social. Também estamos iniciando ações junto com o Projeto Sarau, liderado por Dudu Rombauer, e o Centro Cultural ELENKO, com sua conhecida casa noturna KVA. Fique de olho nas iniciativas conjuntas que surgirão nos próximos meses, e que vão dar o que falar…

Através da arquiteta e artista plástica Regina Stulman Schnitzler, nossa amiga e colaboradora, tivemos o prazer de conhecer a direção do Instituto Brasileiro de Divulgação Cultural e da FAITER, nova personalidade das faculdades de Comunicação e de Design Industrial ex-FASP. Seu moderníssimo estúdio de rádio estará à disposição para as vivências práticas dos alunos de nosso curso de Comunicação Comunitária (ver acima), com outras formas de colaboração em vista para breve.

À Secretaria de Estado da Cultura e seu Programa Ademar Guerra devemos a colaboração do ator, diretor, dramaturgo e professor Waterloo Gregorio com a preparação dos dois núcleos do Grupo Submundo de Teatro. Nossa vizinha, a renomada Associação Comunitária Monte Azul, continua volta e meia nos desapertando, literalmente, de nossos problemas de espaço. Com a vizinha mais jovem, Associação Sarambeque de Desenvolvimento Social e Cultural, que mantém o grupo musical Zunidos do Monte Azul, não só começamos a descobrir formas práticas de colaboração mas também uma enorme identidade de alma!

Por outro lado, nosso jovem captador Lando Alves tem estabelecido contatos com um número incrível de empresas e instituições. Muita coisa sairá daí num futuro próximo – estando as perspectivas mais concretas na Fundação Banco do Brasil e Fundação Educar DPaschoal.

Além disso, muitas pessoas vêm colaborando conosco com doações dos mais diversos valores e tipos: veja a lista e nossos agradecimentos em nossa página inicial. Aliás, que tal ter também Você na lista na próxima edição?

Nosso maior desafio atual (você pode colaborar!)

Apesar de tantos novos projetos, parcerias etc., vivemos um momento extremamente difícil: agora, fim de junho, os recursos desses projetos estão apenas começando a entrar – e estamos sem nossas fontes anteriores desde março! Nossas despesas são realmente modestas, porém ainda há contas de abril a pagar, e os colaboradores vem sofrendo as dificuldades literalmente na carne.

Não temos nenhuma intenção de desistir deste caminho que sabemos ser bom, justo, certo… e viável no médio-longo prazo. O que precisamos é compreensão e colaboração para vencer este “período de prova”. Qualquer medida de contribuição ajuda, “de dez reais a dez milhões…”

Se você quer colaborar, fale conosco no fone +11 5851-1158, e-mail tropis@tropis.org, ou use diretamente a conta Bradesco ag. 2841-0, cc 1591-1.

Notícias do Submundo

Dia 15 de julho às 18 h., na Mostra de Teatro Monte Azul:
estréia do Núcleo II do Grupo Submundo de Teatro
com a peça “45 Minutos de Amor”

Nos meses de abril, maio e junho o Grupo Submundo de Teatro realizou diversas apresentações da peça Esquina Brasil, ou cenas, do SESC Sto. Amaro ao bairro Grajaú (em benefício da aldeia guarani Kurukutu), do Espaço BBTeen no Shopping Paulista ao KVA.

Também no KVA, para um grupo teatral de jovens dinamarqueses, e na Semana da Educação na USP, foram dadas oficinas pelo diretor Gil Marçal e a assistentente Anabela Gonçalves.

No momento o Núcleo II vem sendo ensaiado por Jandyr Paixão, egresso dos primeiros anos de teatro da Associação Monte Azul – e além disso os dois grupos vêm recebendo assistência do diretor, ator e dramaturgo Waterloo Gregorio, com longa atuação docente na UNICAMP, através de convênio com a Secretaria de Estado da Cultura.

Por sua vez, o Núcleo I começa a gerar um novo espetáculo, sentindo que o momento de Esquina Brasil está ficando para trás… Não sem dor, pois é uma peça que quase se confunde com a história do grupo! Se você não viu, aprecie algumas fotos (e leia comentários) no site http://tropis.org/submundo .

… e do Provisório Permanente

A banda Provisório Permanente não é apenas formada por jovens participantes da Trópis: também em suas letras, e em suas pesquisas de estilo musical, ela vem dando forma artística às reflexões realizadas na OCA (Oficina de Conhecimento & Artes) e na Trópis Núcleo de Estudos, sobre a história, a identidade, os desafios e perspectivas deste povo chamado brasileiro. Sai daí um trabalho sério, profundo, porém nem um pouco chato, como provam as platéias do centro à periferia que têm dançado e cantado freneticamente com a banda….

Nos últimos meses o Provisório trabalhou muitas vezes em dobradinha com o Submundo, fazendo a trilha de Esquina Brasil mais um show de abertura. Nesse mesmo período o som da banda vem se enriquecendo com o vocal de Marcelo Faborges (o mesmo Wagner de outros projetos!), a gaita de Peu de Lima, a guitarra de Toni Veras e diversos “percussionistas experimentais”, ao lado do tradicional vocal de Paula da Paz e do violão, voz e composições de Gunnar Vargas.

Você pode conhecer pessoalmente o Provisório Permanente, de modo informal, no dia 05 de agosto (Sábado Aberto). Fotos, letras e amostras do som do você encontra em http://tropis.org/provisorio .

 

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